Resenha - O azarão, Markus Zusak


Destacando-se mais uma vez na sua talentosa narração, Markus Zusak trás para as páginas de “O azarão” uma história simples, mas contornada na excelência e destreza do autor que sabe o que faz quando escreve.

Cameron Wolfe com 15 anos é o caçula de quatro irmãos. Nascido numa família pobre, não tem nenhuma perspectiva de vida, e acha que é uma decepção para os pais que mereciam um filho que proporcionasse algo melhor. Parceiro de seu irmão – Ruben -, que formam um par inseparável, acaba sempre se metendo em confusões que deixam sua mãe à flor da pele.

A história não passa disso, apenas narrativa de histórias contadas sem nenhuma ambição de ser algo imponente - uma pequena introdução de cabeçalho da família Wolfe. O livro acaba ganhando força e delineando os acontecimentos simples e clichê, através da linguagem agradável de que o autor se apodera.
“Não sei realmente se essa história tem um monte de coisas acontecendo. Na verdade, não tem. É só uma narrativa de como foram as coisas na minha vida, durante o último inverno”.
Nesse primeiro livro de uma trilogia, ao tratar com personagens simples, o autor aborda a busca de valores que podemos encontrar dentro de nós mesmos, e o poder que os vínculos íntimos e familiares influem na vida daqueles que realmente se importam conosco.

O livro é narrado em primeira pessoa, pela fala de Cameron, que nos ajuda a ver de perto as mudanças e conflitos que o mesmo passa no decorrer da história, mostrando que o romance, em seu cerne, leva a caminhos de maturidade e aprendizado. Em cada final de capítulo são escritos sonhos que o personagem tem, mostrando um diferencial narrativo, tornando-o um pouco surreal.
"Sei que há algum tempo minha cabeça está a prêmio, e meu pai e eu temos um plano no qual ele me entrega, receba a recompensa, então atira na corda quando eu estiver pronto para ser enforcado. De qualquer forma, vou fugir, e repetiremos o procedimento em cidades por todo o país".
Apesar de ter esperado um pouco mais do livro ele ainda não se torna descartável - como eu disse antes -, o que faz o livro é o autor e sua brilhante escrita. O estilo típico e, até mesmo, quase autobiográfico do autor, faz com que O azarão consiga funcionar bem. Mesmo não tendo alcançado a aclamação de A menina que roubava livros, o livro tem sua peculiaridade digno de, no mínimo, três estrelas.



Título original: The Underdog
Autor(a): Markus Zusak
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 175
Classificação: 



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