Resenha - O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger

As expectativas colocadas sobre esse livro não foram poucas. Desde que ouvi falar de o apanhador no campo de centeio fiquei dividido entre intriga e curiosidade. Saber o porquê de toda polêmica e indicações desse livro foi o que motivaram a leitura. Bem, se você nunca leu esse livro, provavelmente, escutou ou viu alguma coisa a respeito dele em revistas, filmes e livros. No entanto, o que prevalece depois da leitura e tudo isso que foi dito: é minha real e verdadeira frustração.

Holden Caulfield, 17 anos, nosso protagonista rebelde filho de uma família nova-iorquina abastada, após ser reprovado em quase todas as matérias no internato só para garotos em que estuda, vai ter que voltar para casa mais cedo que os demais alunos. Decidido a não esperar o tempo de liberação, e para que sua família não descubra que ele levou bomba, escolhe fugir e peregrinar pelas ruas de New York até a data que todos os alunos serão dispensados e seus pais não desconfiem da sua expulsão – mais uma de muitas. Perdido em suas divagações e ideias muitas vezes absurdas, Holden vai trazendo uma mistura de sentimentos que não são correspondidos e nem percebidos pelos seus próximos e se encontra cada vez mais deprimido e solitário no turbilhão de pensamentos que o acompanha, tendo cada um desses estados irrigados à muito álcool e cigarros.


"De qualquer forma até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. Se houver outra guerra, vou sentar bem em cima da droga da bomba. Vou me apresentar como voluntário para fazer issom juro por Deus que vou".
Holden é um adolescente comum que como outros, procura o seu lugar no mundo, ou sua breve participação nele. Um típico chato que reclama de tudo e todos que estão a sua volta. Os conflitos principais do personagem caminha pelo estar só sem estar sozinho. O livro de fato não conta uma história concreta, única, mas, lembranças, pensamentos e filosofias baratas e conquistáveis que o próprio Caulfield muda a todo instante. Um mentiroso de carteirinha, um covarde declarado, o verdadeiro cão que ladra, mas não morde; Suas intenções nunca se transformam em ação.
"Tomara que quando eu morrer alguém tenha a feliz ideia de me atirar num rio ou coisa parecida. Tudo, menos me enfiar numa porcaria dum cemitério. Gente vindo todo domingo botar um ramo de flores em cima da barriga do infeliz, e toda essa baboseira. Quem é que quer flores depois de morto? Ninguém".
Como disse, peguei o livro com a expectativa de ter uma leitura empolgante e diferente, mas o que acabei encontrando foi uma história sem conteúdo aparente: um garoto que não tem e tem uma perspectiva frustradas das coisas. A escrita usada pelo autor é simples e carregada de repetições de palavras que acabam sendo estressante e cansativa durante a leitura. Pensei várias vezes durante a leitura abandonar o livro, no entanto, o que me sustentava era a vontade de entender o quê do tão comentado e declarado pelas pessoas. Apesar de entender que o apanhador no campo de centeio ter sido escrito em uma época especifica e que teve seu valor literário e histórico, confesso, infelizmente, o livro não funcionou para mim em nenhum aspecto.

Tive raiva do final, tive raiva de não ter visto nada, com nada. Talvez eu não tenha dado ou lido a obra no tempo certo, nem com o valor que ele mereceria, ou até mesmo tenha sido insensível, quem sabe em uma releitura eu possa perceber o livro com outros olhos?!

No mais, o clássico de J.D. Salinger foi lançado em 1951 e conquistou polêmicas e discursos por vários anos, mas ainda assim consegue (para alguns) permitir que o leitor consiga se perceber nas entrelinhas do livro através das problemáticas típicas de quase todo adolescente, que quer se colocar no centro, ser dramático, o possuidor dos problemas piores do que os de qualquer outro. 



Título original: The catcher in the rye
Autor(a): J. D. Salinger
Editora: Editora do autor
Número de páginas: 208
Classificação: 


Curiosidades e polêmicas (Fonte: pesquisas no google)

·         assassino de John LennonMark David Chapman, carregava este livro consigo no dia em que cometeu o crime. Segundo testemunho do próprio Chapman, estava lendo o "Apanhador no Campo de Centeios", minutos antes de tentar o suicídio e da obra teria tirado inspiração para matar John. Outro fato curioso é que o atirador que tentou matar Ronald Reagan em 30 de abril de 1981, afirmou a mesma coisa, ou seja, que teria tirado do livro a inspiração para matar o presidente Reagan, não obstante, o assassino de Rebecca Schaeffer, Roberto John Bardo, carregava consigo o livro quando a matou. No filme "Teoria da Conspiração ", Mel Gibson faz o papel de um motorista de táxi psicótico, que acha que todos estão contra ele, ele possui uma compulsão, comprar diariamente um mesmo livro, "o Apanhador no Campo de Centeio", em sua casa existem milhares de exemplares dessa obra, por conta de uma dessas compras ele é descoberto por seus inimigos e quase acaba morto.
·         A banda punk-rock californiana Green Day gravou em 1992, no seu segundo álbum intitulado Kerplunk! a música Who Wrote Holden Caulfield?, baseada no livro. O vocalista, guitarrista e compositor Billie Joe Armstrong compôs a letra baseada no livro pois para ele, Holden Caulfield, o personagem principal, era como ele, um cara rebelde, largado e "invisível". Billie teve que ler esse livro durante o colegial, mas acabou não lendo. Tempos depois, ele resolveu ler e acabou tornando um dos seus livros favoritos.
·     O desenho South Park teve o episódio "A Historia de Scrootie Sodomita" baseado no CD Chinese Democracy (2008) do Guns N`Roses a sétima faixa se chama "Catcher In The Rye" a história da letra é que o livro influenciou Mark Chapman a cometer o assassinato de John Lennon.

Um comentário

  1. Eu já ouvi falar muito sobre esse livro, mas nunca li. É a primeira vez que vejo alguém dizer que não gostou, mas pela sua resenha o livro realmente não parece ser muito, bom. rs
    De qualquer jeito, eu vou ler só pra saber.
    Também já tive livros que me deu vontade de parar no meio (e parei em alguns), mas geralmente eu prefiro terminar nem que seja pra falar mal depois, até porque agente não deve falar do que não conhece. rsrs

    http://canastraliteraria.blogspot.com.br/

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