Resenha - O exorcista, Willian Peter Blatty

“Mal saltou em terra, veio-lhe ao encontro um homem dessa região, possuído de muitos demônios [...] Há muito tempo que se apoderaram dele, e guardavam-no preso em cadeias e com grilhões nos pés, mas ele rompia as cadeias e era impelido pelo demônio para os desertos. Jesus perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Ele respondeu: Legião!”.
Lucas 8:27-30

É difícil começar escrever uma resenha quando você está sobre o efeito de uma ressaca literária. Isso mesmo! Estou completamente ressacado e, indubitavelmente, decepcionado com a leitura de O exorcista. Minha primeira leitura do gênero e não foi uma das melhores. E, de todas as formas que eu pude avaliar o livro, elas não passaram de médio para fraco. A escrita do autor é inteligentemente simples, ricamente cansativa e grandemente entediante.

Sem mais.


Comecei a leitura com a expectativa de uma boa história de terror (de ter aquela sensação de frio na barriga), porém me frustrei bastante.

Regan é a filha de onze anos de Chris McNeil, uma famosa atriz no auge de sua carreira. Como toda garota na sua idade, Regan é curiosa e esperta no desenvolver de novas brincadeiras, e é quando descobre um velho tabuleiro Oijah que as coisas tanto na sua vida quanto na de sua mãe começam a mudar. Misteriosamente os móveis da casa começam a sair do lugar e barulhos estranhos inquietam de forma persistente. Regan, que sempre fora meiga e carinhosa, começa apresentar sintomas de distúrbios psicológicos, como dupla personalidade e histeria.

Como uma boa mãe, Chris se preocupa com a saúde da filha – que durante os últimos dias tem piorado e se comportado de forma assustadora –, levando-a a psiquiatras e neurologistas que não sabem diagnosticar de forma clara o que exatamente Regan tem. Mesmo sendo ateia, Chris começa a se questionar sobre a natureza dos “sintomas” da filha. É nesse ínterim desesperador que ela busca a ajuda de um padre que, por coincidência, é um psiquiatra – Damien Karras.

As amarras do livro não se fundem na questão da possível possessão de Regan, o livro vai um pouco além, envolvendo a futilidade da misteriosa morte do diretor de cinema, amigo de Chris, Burke Dennings, que o insuportável detetive Kinderman tenta desvendar, sem nenhum sucesso. O tempo todo durante a leitura ficava pensando o quanto isso era desnecessário. Não que um livro não tenha cenas que distanciam do tema central, mas nesse caso, realmente, não funcionou.

A questão da possessão é o que realmente nos leva, de certa forma, ler a obra de Willian Peter Blatty, no entanto, o autor acaba forçando algo que não cai bem durante a leitura, a proposta usada acaba sendo maçante e não fluida. Durante algumas partes do texto que era o esperado sentir medo, eu me via bocejando, torcendo para que o capítulo acabasse logo. Nas cenas onde Regan se destacava o texto era repetitivo, com palavras obscenas e completamente chulas. Sem aprofundamentos.

Alguns personagens na medida em que são desnecessários são chatos: desenvolvendo diálogos cansativos, superficiais e irritantes. Até mesmo a entidade do mal que se apossou de Regan acaba ficando sem graça, um personagem rabugento de um seriado de comédia adulto. A impressão final depois da leitura de um capítulo era sempre a mesma “quão dispensável são esses personagens”. Um completo preenche páginas.

A história parece não ter uma continuidade, não há um toque de suspense, terror, aflição que prenda o leitor, apenas lacunas que tentam ser preenchidas com nada e acabam distanciando ainda mais a leitura em um ciclo sem fim. Somente é isso e nada mais, tudo bem?! Até mesmo o exorcismo, em si, acaba não dando certo, trazendo novamente os diálogos escrotos, apelativos, na pura tentativa de levar a um estado de “medo” que não funciona.

Tive a oportunidade de assistir ao filme adaptado desse livro antes de ler o livro, e todas as lembranças de terror que eu tive foram decorrentes as imagens que eu tinha guardadas do filme que, de alguma forma, se desfizeram no proceder da leitura. O filme dá medo, o livro tédio. O filme emana a sensação de uma cena assustadora, o livro de mais um capítulo entediante. É sério, eu me esforcei bastante para terminar o livro, foram duas semanas para a conclusão das infindáveis 331 páginas que suportam a escrita de O exorcista.


A leitura foi enfadonha, mas não vã. É possível classificá-la como dispensável, regular e digna de duas estrelas sem brilho. Mas como somos seres divergentes e completamente diferentes pode ser que funcione com você aquilo que não aconteceu comigo.



Título original: The exorcist
Auto(a): Willian Peter Blatty
Editora: Nova fronteira
Número de páginas: 331
Classificação: 

14 comentários

  1. E eu tinha vontade de ler :/ mas sua resenha me lembrou um livro que li, "A mulher de Preto". Leitura era tão chata, tão chata, que eu dormi :'( mas com muita luta consegui terminar de ler e resenhar.

    Beijooos!
    Vivendo em Livros

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  2. Eu particularmente não sou muito fã desse tipo de leitura . é muito ruim quando o livro não é o que esperamos ficamos frustados .

    Com certeza o próximo livro será bem melhor .

    abraços

    Joyce

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  3. Ai meu Deus do céu. Eu amo essa história, já te contei? (claro que não hahaha). Quando vi que você tinha feito resenha desse livro fiquei toda empolgada (não achamos muitos blogueiros com resenha desse livro). Mas quando vi que você se decepcionou com a leitura fiquei muito decepcionada também, normalmente quando gostamos de algo queremos que todos gostem. Concordo que algumas partes são mesmo cansativas, mas o que posso dizer? Amei a forma que o Blatty escreveu.
    É triste quando adentramos a um genero dessa forma. Posso dar uma dica? Leia Stephen King <3 Ele é muito melhor.
    Mas, ainda assim... Concordo também que alguns diálogos são bem chatos e que falta um pouco de "terror". Acredito que o problema maior seja conosco e não com o livro, hoje em dia tem tanta coisa volta ao terror que não nos deixamos mais assustar facilmente, e como esse livro foi publicado em 1971... ERA TERROR PRA CARAMBA hahaha Lembro que meu avô que me apresentou a essa história, a um tempão atrás.
    Enfim, adorei a forma como você expôs seu pensamento.

    Beijos e até breve.

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  4. Poxa, é realmente uma pena saber que o livro não te agradou. Não tenho costume de ler livros com o tema, mas sinto muita vontade de ler esse. O filme é um tanto obscuro, mas não chegou a me dar medo. Fico me perguntando se por ventura ler o livro, terei a mesma impressão.

    http://umadosemaisforte.blogspot.com.br/

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  5. Mas eu não ia chegar nem perto do livro. Eu sou medrosa pra cacilda, não gosto de nada de terror, até trem-fantasma me assusta. rs! Aí o livro ainda nem é bom... Ferrou! Dispenso totalmente.
    Beijinhos!
    Giulia - Prazer, me chamo Livro

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  6. Eu corro de narrativas entediantes, e principalmente de histórias de terror, você poderia ter se desmanchado em elogios ao livro que eu passaria longe do mesmo jeito rsrs.

    Beijos.
    Leituras da Paty

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  7. Oie Diogo
    Nossa, é super chato quando isso acontece, quando um livro te decepciona. Eu conhecia esse livro, acho que já até assistir ao filme (não me lembro agora...rsrsrsrs), mas depois de tantos pontos negativos eu prefiro não ler por agora. Eu gosto de um bom terror, mas não sou de ler muitos, gosto mais do King nesse gênero.



    Beijos,
    Jéssica
    www.leitorasempre.com

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  8. Oie,

    Confesso nunca li nenhum livro desse gênero, e acho que não seria esse que eu iria iniciar, não sinto vontade de ler livros desse gênero, e entendo como é tentar gostar de um livro, mas não dar certo, espero que leia outros livros do gênero, mas que sejam melhores.

    Mayla

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  9. Não curto livros de terror. Este já foi me gênero favorito de filmes, hoje nem isso é mais hahah
    Que pena que você se decepcionou com o livro.. é realmente péssimo quando esperamos algo e recebemos outro totalmente diferente.

    Beeijinho. Dreeh
    Blog Mais que Livros

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  10. Vixi... grandemente entediante? credo! hehe... É um livro que eu nunca leria, nem se você tivesse feito elogios sem fim, uma vez que o gênero não me agrada. Essa parte das palavras obscenas e completamente chulas me irritaria demais. Sou extremamente medrosa e não sei se iria bocejar nas cenas de terror, qualquer terrorzinho leve me deixa completamente aterrorizada, mas nem a hipótese de ficar entediada nem a de ficar aterrorizada me agradam, então realmente passo essa leitura.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  11. Olá!
    Detesto livro ou filme de terror. Não chego nem perto.
    Nunca ia gastar o meu dinheiro comprando isso, mesmo se ganhasse não leria.
    Beijinhos!
    http://www.eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  12. Hum, só de ler a resenha já me impressiono, sou totalmente avessa a este gênero, sou medrosa. Sou o tipo de pessoa que tem pesadelos com histórias assim, terror de nenhum tipo faz a minha cabeça. Então, já sabe não lerei este livro, para quem gosta deve ser interessante.

    Beijos
    Tânia Bueno
    http://www.facesdaleiturataniabueno.blogspot.com.br/

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  13. Oi,
    Acho que essa é a primeira resenha negativa que leio desse livro e achei muito interessante sua opinião. Eu adoro histórias de terror, mas esse é um livro que passa longe, fico muito impressionada com histórias de possessão...
    Pensei que o livro fosse tão assustador ou até mais que o filme, jamais imaginei que seria tedioso e é bom ver opiniões diferente, embora seja um livro que não pretendo ler nunca, rs.

    bjs
    Aline Lima
    http://alinenerd.blogspot.com.br/

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  14. Oi Emammuel!
    Fiquei mega surpresa que vc detestou assim! ahahahaha
    Quando eu vi a capa, pensei OHHH um livro que eu deveria ler do gênero! Mais não pensei que fosse ruim! ahahah
    Mesmo pq o filme dá medo! Eu sou medrosa!
    Fiquei rindo aqui do seu ressacado! Pena que não curtiu!
    Um grande Beijo!
    Paulinha Juliana - Overdose Literária!
    http://overdoselite.blogspot.com.br/

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